quinta-feira, 27 de novembro de 2008

E quando a dor acaba?

A feira estava lotada, era tanta gente que nem o melhor observador guardaria a característica de uma pessoa sem misturar com a de outra. O barulho tinha efeito anestésico – fazia-me sentir um corpo flutuante – e eu estava perdida, perdida no meio daquela gente. Não tinha um referencial, muito menos um objetivo. Eu era aquilo, aquela agitação, aquele pandemônio, aquele cheiro agora tinha notas minhas. Eu estava sendo levada, ora pelas vozes agitadas, ora pelo impulso do caminhar que não era meu. Foi nesse estado de inconsciência parcial que eu o avistei. Era um clássico, usava um terno branco desgastado pelo tempo – estava até um pouquinho amarelado - e os seus pés seminus eram pisoteados por aqueles pés imundos e lamacentos, isso me enjoaria caso eu não estivesse sobre efeito anestésico. O seu andar era cauteloso, o fazendo sobressair sobre aquela multidão horrenda. Os seus olhos me encontraram na mesma rapidez que fugiram de mim assustados, eu era parte daquilo e ele era um simples observador[...]

Um comentário:

pantone disse...

O blog e legal pra quem quer se expressar e tals...